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07/04/2026
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Condenada por matar os pais, Suzane von Richthofen ganha documentário na Netflix


Pouco mais de duas décadas depois de mandar matar os próprios pais, Suzane von Richthofen, hoje com 42 anos, resolveu remexer o próprio passado. Em um documentário inédito, ela aceitou revisitar o crime pelo qual foi condenada a 39 anos de prisão, pena atualmente cumprida em regime aberto. Na obra, ela concede entrevista e reconstrói, sob sua própria versão, a história que se tornou um dos casos mais emblemáticos do país.

Por ora, o longa-metragem de quase duas horas só foi disponibilizado pela Netflix numa pré-estreia restrita. Ainda não há data oficial de lançamento. No documentário, o relato da parricida começa pela infância. A casa que, anos depois, serviria de palco para a morte dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, é descrita por ela como um ambiente sem afeto, marcado por cobrança e silêncio emocional.

Segundo o relato, esse cenário teria contribuído para o rompimento com os pais e para a aproximação com Daniel Cravinhos, que, junto com o irmão Cristian, executou o crime.

O longa mostra como o relacionamento com Daniel evoluiu para uma vida dupla, com mentiras e enfrentamentos constantes dentro de casa. Suzane afirma que a ideia do assassinato foi construída gradualmente e admite responsabilidade ao reconhecer que permitiu a entrada dos executores na residência, embora sustente não ter participado diretamente da ação.

O documentário também aborda a noite do crime, quando ela diz ter permanecido no andar de baixo, ciente do que acontecia. Em diferentes momentos, descreve o próprio estado emocional como “dissociado”, mas reconhece que poderia ter impedido o desfecho.

Outro ponto explorado é o período após o crime, incluindo versões controversas sobre seu comportamento nos dias seguintes, contestadas por ela no filme. A obra ainda evidencia a falta de confrontos mais incisivos durante a entrevista, o que levanta questionamentos sobre a condução do documentário.

Além da reconstituição do caso, a produção expõe a vida atual de Suzane, hoje em regime aberto, mostrando sua rotina familiar, o casamento com o médico Felipe Zecchini Muniz e a convivência com o filho.

No trecho final, Suzane tenta estabelecer um rompimento definitivo com o passado e com a própria imagem associada ao crime. Afirma que a mulher que participou do assassinato dos pais deixou de existir. “Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais”, comparou. Segundo ela, hoje é “uma outra pessoa”, transformada ao longo dos anos.

Ao falar de fé e redenção, Suzane diz que encontrou no filho a prova concreta de que o passado ficou para trás. “Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou”, elucubrou.

Ainda assim, a assassina condenada reconhece que não consegue escapar da própria história. “Você entra num lugar e parece que o ar para. Todo mundo olha. ‘Olha, a Suzane’”, relatou, com ar de celebridade. Ela diz ser constantemente reconhecida e fotografada, inclusive em situações banais do dia a dia. “Quantas fotos minhas, às vezes, no supermercado... a pessoa tirando foto”.
Fonte: O GLOBO
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